Tag Archives: Polytheama

“O castigo da soberba”

Associação Cultural Religarte começa o mês junino com releitura da obra do dramaturgo Ariano Suassuna, a comédia “O Auto da Compadecida”

“Arte pra mim não é produto de mercado. Podem me chamar de romântico. Arte pra mim é missão, vocação e festa.” Afirma o poeta, romancista e dramaturgo paraibano, Ariano Vilar Suassuna, traduzindo com sensibilidade o sentimento que corre nas veias dos amantes das artes.

Autor de obras imortais como “Auto da Compadecida” (1955), e “O Santo e a Porca” (1957), Suassuna cumpriu sua missão artística, deixou um rico legado e poderá ser indicado pelo Brasil como candidato ao Prêmio Nobel de Literatura de 2012. Fiel defensor da cultura nordestina, Suassuna foi o idealizador do Movimento Armorial, em 1970, com o objetivo de criar uma arte erudita a partir de elementos da cultura popular do Nordeste Brasileiro. Procurando orientar para esse fim todas as formas de expressões artísticas: música, dança, literatura, artes plásticas, teatro, cinema, arquitetura, entre outras intervenções.

Para aproximar os jundiaienses das obras de Ariano Suassuna, e marcar a entrada do mês junino, na noite dessa sexta-feira (1), às 20h30, no Teatro Polytheama, a Associação Cultural Religarte apresenta o espetáculo “O Auto da Compadecida”, sob a direção de Alexandre Ferreira, e participações do grupo Rick & Kelly, Gustavo Chechinatto, Eliane Brega e elenco de aproximadamente 60 pessoas.

De acordo com o diretor Alexandre, depois do espetáculo “Memórias de Maria”, a Religarte decidiu passar do drama para a comédia, e contar as peripécias de João Grilo e Chicó, os anti-heróis brasileiros. A peça já foi apresentada em 1999 pela Associação, mas agora, o texto foi adaptado para uma versão voltada ao tema junino, contando com quadrilhas e cenário dedicado ao resgate da essência do povo brasileiro.

O Auto da Compadecida (Filme)

A obra, que já foi tema de dois filmes, fala das aventuras de João Grilo (Matheus Natchergaele), um sertanejo pobre e mentiroso, e Chicó (Selton Mello), o mais covarde dos homens. Ambos lutam pelo pão de cada dia e atravessam por vários episódios enganando a todos da pequena cidade em que vivem, até conseguirem, através de suas confusões, a ira do temido Cangaceiro Severino de Aracaju (Marco Nanini). Abordando temas universais como a avareza humana e suas amargas consequências, por meio de personagens populares, Ariano Suassuna, nesta obra, prepara o espectador para um desfecho moralizante conforme os preceitos do cristianismo católico.

A catarse da história é o grande julgamento, onde os dois “canalhas” vão parar no “hall” de entrada entre o Céu e o Inferno. Deus (na figura de Cristo) e o Diabo julgam as almas que lá se encontram para verificarem onde podem pagar suas “dívidas da vida”: no Paraíso ou no Inferno… E mais uma vez João Grilo toma a frente e consegue “enganar” os Dois, ajudando seus amigos com a intervenção de Nossa Senhora. Ao escrever esta peça, onde combate o mundanismo, o autor (Ariano Suassuna) quis indicar que “a alma é um velho catre, cheio de insensatez e de solércia”. Baseou-se no espírito popular de sua gente (Nordeste), porque “acredita que esse povo sofre, é um povo salvo e tem direito a certas intimidades”.

Quem quiser conferir esse clássico nacional, e ainda dar boas risadas, os ingressos para a peça custam R$20,00 (inteira) e R$10,00 (meia – incluindo estudantes, idosos e classe artística) e podem ser adquiridos na bilheteria do teatro, que fica na Rua Barão de Jundiaí, 176, Centro. Informações pelo telefone (11) 4586-2472.

Obs.: Matéria feita para o caderno Sirva-se, do JC, em 01.06.2012

Deixe um comentário

Filed under Sirva-se (JC)

“Sob a lua, num velho trapiche abandonado”

Projeto Escola apresenta “Capitães de Areia”, obra de Jorge Amado, boicotada na ditadura, para o público estudantil

Jorge Amado sabia o que era necessário para uma transformação radical na sociedade: “a solução dos problemas humanos terá que contar com a literatura, a música, a pintura, enfim, com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura será sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade” e, assim, se fazem desnecessárias muitas teorias.

Perseguido pela ditadura em 1937, mais de 800 exemplares foram queimados em praça pública, a história de um grupo de menores abandonados de Salvador foi taxada como nociva a sociedade nos anos 30, afinal, os únicos capitães da época eram os comandados pelo governo de Getúlio Vargas. Repleto de beleza, dramaticidade e lirismo, felizmente, o livro Capitães de Areia transgrediu décadas e não morreu em meio às chamas da censura.

A obra de Jorge Amado, que também virou filme em outubro passado, dirigido por Cecília Amado e Guy Gonçalves, fala de um grupo de menores abandonados, chefiado por “Pedro Bala”, que recebe o nome de Capitães da Areia e tem em comum a pobreza, a vida insalubre, uma vaga revolta contra o mundo hostil, a liberdade que encontra nas ruas, a lealdade grupal e uma certa maturidade prematura que, contudo, cede lugar a rasgos de deslumbramento infantil ou à falta de uma mãe.

Adaptado e dirigido por Renato Mano, Capitães de Areia é uma das peças apresentadas pelos paulistanos do Grupo Trapiche, para o Projeto Escola que visa levar ao Teatro Polytheama releituras dos clássicos da literatura nacional, algumas delas leituras obrigatórias para o vestibular. Na próxima semana haverá três sessões, uma na quarta-feira (16), às 20h30, e duas na quinta-feira (17), às 18h30 e 20h30.

O ano todo é corrido para quem está se preparando para o vestibular, revisões e muitas leituras, um trabalho cansativo que exige disciplina e concentração. Abrir mão de coisas legais como passeios e baladas já é parte do cotidiano, mas nem sempre é saudável. Segundo a psicopedagoga Valderez de Mello, aprende melhor quem busca os conhecimentos oferecidos de forma dinâmica e prazerosa. No caso do teatro, essa participação é capaz de guardar registros mais profundos, diferente da leitura que é um ato passivo. Valderez afirma, “no teatro o público se coloca no lugar do ator, sente a história como se fosse ele, e isso causa um registro por longo tempo. Conforme esse tempo passa, a percepção sobre o que foi aprendido vai mudando e se adequando a realidade, assim, tudo passa a ter outro valor, como se estive em um casulo que guarda transformações.”

Serviços:
Autor: Jorge Amado
Adaptação e Direção: Renato Mano
Elenco: Glauber Leme, Cícero de Andrade, João Miller, Hélcio Vidal, Tássia Machado, Érika Mendes e outros
Duração: 75 minutos
Censura: 12 anos
Local: Teatro Polytheama
Data: 17 de Maio
Horários: 18h30 e 20h30
Ingressos: Inteira: R$ 30,00 / Meia entrada: R$ 15,00 / Pacote para escolas: R$12,00
Informações e reservas: (011) 8020-1054 [Oi] – (011) 9868-1371 [Vivo] – (011) 8603-7262 [Tim] – (011) 4496-3894 [Itupeva]- (011) 4586-2472 [Teatro Polytheama] – email: artpromo.jundiai@gmail.com

Obs.: Matéria feita para o caderno Sirva-se, do JC, em 11.05.2012

Deixe um comentário

Filed under Sirva-se (JC)