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‘Sexo, Orégano e Rock ‘HQ´ Roll’

Angeli tira obras marcantes do fundo da gaveta, no Itau Cultural

“Ao cruzar este caminho, terás a boca inebriada, a carne extasiada, a alma diluída. Serão infinitos os deleites. Salivas, escamas, sabores. Sangue, vísceras, venenos e amores…”, é assim que a curadora Carolina Guaycuru começa a aventura pela Ocupação Angeli. A trilha de fundo, forte e sensual, com música, conduz a viagem pelo excêntrico mundo do chargista Arnaldo Angeli Junior, o Angeli.

Além de homenagear o chargista, de acordo com o Itaú Cultural, as ocupações são criadas “para fomentar o diálogo da nova geração de artistas com os criadores que os influenciaram. O evento integra uma das políticas permanentes do Instituto, que é a preservação da memória artística”. Na exposição, o público tem acesso aos rascunhos de Angeli, conhecendo assim seu processo de criação. Percorrê-la é como observar de perto o artista em seu espaço produtivo.

A curadora Carolina Guaycuru, em entrevista exclusiva ao Sirva-se, contou que levou para a exposição “imagens que o público não tem acesso, como exemplo os cartazes de cinema. A intenção é mostrar o mundo de outro viés, tirando as obras, literalmente, do fundo da gaveta”. Carolina, arquiteta e designer gráfica, fala com propriedade sobre o autor e suas obras, pois além de trabalhar há 15 anos com Angeli, é também sua esposa.
Angeli já teve suas tiras publicadas em países como Alemanha, França, Itália, Espanha, Argentina e Portugal, e há quase 40 anos – desde 1973 – trabalha para a Folha de São Paulo. Do caderno de política ao de cultura, suas charges saem quatro vezes por semana no espaço nobre da página 2. Sua galeria é repleta de personagens marcantes pelo humor anárquico e urbano, mais de 28 mil desenhos já foram feitos. Para Angeli, a regra é não ter regras, contra a politicagem e o politicamente correto, a favor do “grande orgasmo universal” e da ironia, seus personagens nascem e morrem sem pudor ou nostalgia. Um dos grandes destaques de sua carreira é certamente a revista “Chiclete com Banana”, considerada uma das mais importantes publicações de quadrinhos adultos no Brasil, e realizada com a colaboração de nomes como Luiz Gê, Glauco, Roberto Paiva, Glauco Mattoso e Laerte Coutinho.
Entre seus personagens se destacam o esquerdista Meia Oito e Nanico, seu parceiro homossexual; Rê Bordosa, a “porralouca” dos anos 80; Luke e Tantra, adolescentes que só pensam em perder a virgindade; Wood & Stock, dois velhos hippies que perderam os neurônios na década de 60, entre outros não menos importantes.

“Ouse cruzar este caminho. E fique a memória encarregada do resto”

Quem não puder ir até o Itaú Cultural, pode conferir o hotsite da Ocupação Angeli e a programação no link www.itaucultural.org.br/ocupacao. A Ocupação fica até dia 29 de abril no prédio do Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista 149 – Paraíso [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô]. O A entrada é franca, e os horários para visitação são de terça a sexta, das 9h às 20h; Sábados e domingos, das 11h às 20h. Informações: (11)2168-1777.

*Matéria publicada no caderno Sirva-se do dia 30/03/2012

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Gibi Jundiaí ficou para história

Depois de oito anos na cidade, loja de quadrinhos vai deixar saudades

“Quem lê tem mais cultura e, conseqüentemente, mais poder de comunicação: fala e escreve melhor…” É essa mensagem que a Gibi Jundiaí vai deixar, além da saudade, em seu cartão de visitas. Depois de quase oito anos na cidade, a única loja de histórias em quadrinhos (HQs) da região fecha suas portas, para tristeza dos fãs e artistas jundiaienses.

Seja amante de HQ, ou não, todos contam sobre seu primeiro contato com um gibi em tom de nostalgia, relembrando clássicos da Disney, ou as histórias de Maurício de Souza, com a Turma da Mônica. “Comecei a ler Turma da Mônica, por volta dos oito anos, por influência de meus pais que sempre me davam gibis. Mas foi graças ao meu tio que conheci os heróis, e acabei me focando nisso” diz Laercio Filho, 37, fã de Superman, e vendedor desde a antiga direção, quando a Gibi Jundiaí era conhecida como “Loja do Gibi”.
Segundo Laercio, as crianças normalmente gostam desse tipo de leitura, mas os maiores freqüentadores são os clientes de 16 á 30 anos. Com o fim da loja, os fãs terão que garimpar nas bancas, ou comprar pela internet, o que muitas vezes é desvantagem pela limitação de exemplares, ou o valor do frete.
Com a ajuda do mercado cinematográfico, longas como “Lanterna Verde”, “Thor”, “Quarteto Fantástico”, “Superman” ou “Homem Aranha”, recolocaram os quadrinhos em lugar de destaque, mas ainda sim, não foi suficiente para popularizá-los e evitar o fechamento de lojas como a Gibi Jundiaí. Fãs de HQs ficam curiosos para ver seus personagens em “carne e osso”, mas quem só conhece os heróis através dos filmes, nem sempre se interessa pelas revistas.

Arte Jundiaiense
Enquanto pelo Brasil vem acontecendo eventos como “Bistecão Ilustrado” de São Paulo, o “Rabiscão” de Brasilia e o “Feijão Ilustrado” do Rio, os artistas da região não quiseram ficar de fora e decidiram se organizar para fortalecer o cenário das artes visuais. Foi assim que nasceu o “Ilustra-Parque”, por iniciativa do artista Ede Galileu Silva, junto a Secretaria de Cultura de Jundiaí, ilustradores (profissionais ou amadores) vão se reunir todo primeiro domingo do mês no Parque da Cidade, no intuito de trocar experiências, experimentar novas técnicas e rabiscar bastante.

P.S.: Matéria escrita para o caderno Sirva-se, do Jornal da Cidade (20/01).

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