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Algumas verdades sobre mim…

 

Embora por vezes eu pareça extremamente autoconfiante, há verdades sobre mim que não são fáceis de admitir, verdades que me tornam frágeis diante dos paradoxos de minha insana personalidade.

Fui educada por pais sinceros, honestos e muito trabalhadores, mas despolitizados e enraizados no conservadorismo. Cresci ouvindo-os reclamar da “bagunça” feita por Luiz Inácio Lula da Silva, “este ai é um baderneiro que não gosta de trabalhar”… o que consequentemente, marcou minha opinião a respeito deste importante líder social.

Desde criança meu pai insiste em dizer que eu deveria seguir a carreira política, pois logo cedo meu espírito contestador e insatisfeito já não me deixava de boca calada. Às vezes penso que ele (meu pai) esta certo, afinal amo fazer crítica (construtivas! rs.) e sentar em cima dos meus defeitos (pra não dizer rabo!). Sem contar o dom de ser polêmica (sempre abro a boca sem pensar!), falando muitos absurdos.

Mas voltando a minha formação política… A conclusão é que não tive formação política!
Nunca soube da real importância de Marx, Durkheim ou Angel, até que me vi sentada nas aulas de sociologia (o que não chegou perto de ser o suficiente!). Que culpa tenho de ter nascido “rebelde” (sem causa?), mas ter sido transformada em uma conformada (ou alienada?). Minha geração só entende de games e redes sociais. Sabem ler um PDF, mas nem sabem o que é um fanzine!

Na adolescência minha rede social era outra, eu trocava cartas com amigos anarquistas. É isso que você leu, EU TROCAVA CARTAS!…e não tem nada melhor do que a ansiedade por uma resposta, a sensação ao tocar o papel amaçado que andou quilômetros até chegar em casa. Nada melhor do que três folhas de papéis escritas à mão, uma causa para lutar, e a curiosidade em saber quem é aquele por trás da grafia.

Sentia-me como na ditadura… Ia à missa aos domingos, mas trocava correspondências com ateus e outras coisas mais. Sentia-me reprimida, censurada por não poder ser anarquista como meus amigos. Mas o que importa? O que importa a opção política ou religiosa? No final todos queríamos dar vasão à força que explodia em nossos peitos. Queríamos as mesmas coisas, PAZ, JUSTIÇA e LIBERDADE. Mas não havia movimentos estudantis, não havia caras pintadas, então apelávamos para nossas utopias empoeiradas, repetindo um discurso velho e nada pragmático, um pouco altruísta, mas muito irreal.

Sou de uma geração que não faz história, simplesmente senta para ler antigos pensadores e aproveita o que já foi inventado. Não pensa, só repete informações. Vem culturas e tradições morrerem, vem o que resta de humanidade escoar pelo ralo… Mas não se preocupem, no futuro não haverá altruísmo para nos incomodar, compraremos nossos amigos robôs, pois eles serão mais úteis e repletos do conteúdo que nos interessa.  (Afinal, quem vai querer amigos que só fazem reclamações no Twitter e que acham que tudo não passa de uma puta falta de sacanagem???

Enquanto isso vou levando minha vidinha paradoxal, copiando falas do Arnaldo Jabor, mas lendo CAROS AMIGOS todos os meses (De Arbex Jr. a Stedile e Fidel). Votando na direita jundiaiense, mas criticando-a na esperança de uma melhora. Sempre detestei ler sobre política, mas amo ajudar a ONG Voto Consciente. Nunca tive um animal de estimação só meu, mas estou loucamente entusiasmada em trabalhar com a ONG Mata Ciliar. Continuo indo a missa todos os domingos, mas questiono tudo que ouço e reconheço as falhas de minha religião. Nunca li Marx, mas sei o que é assistir pessoas carentes. Odeio preconceito e racismo, mas amo ler Machado de Assis, Graciliano Ramos ou ainda as peripécias da Emília de Monteiro Lobato. Tenho dó dos animais que como. Contradições? Mas porque eu deveria ser coerente? Sou só um ser humano que usa apenas uma parte minúscula do cérebro, algo como 6%?

Sabe qual filosofia sigo?
Aquele do faça você mesmo…

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