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Pequeno museu sentimental…

Museu Histórico e Cultural de Jundiaí recebe o Sarau do Barão para comemorar seus 150 anos

Em detalhes a cronista Martha Medeiros descreve sua experiência, “Entro num museu, paro em frente a um quadro, a uma escultura, a uma cerâmica, e enxergo o aviso: não pode tocar. Não posso, então não toco, tudo bem. Não tocarei pra não estragar, pra não quebrar, pra durar por muitos séculos. Nada de sentir a textura do material, nada de deixar minhas digitais impressas, nada de arranhar a tela com minhas unhas mal lixadas, de desgastar as cores com meus dedos imundos. Então a gente respeita, não chega muito perto, não atravessa a linha amarela, nada de macular a obra com nosso hálito quente e nosso olhar aproximado demais.”

Do grego mouseion, os museus remontam ao próprio hábito do homem em colecionar coisas. De tampas de garrafa, a carros de luxo, os objetos são preservados ao longo do tempo, pois possuem um determinado valor, seja afetivo, cultural ou simplesmente material. É graças a esse hábito, que surgiram os museus, grandes responsáveis por preservar a história da humanidade contada através de quadros, esculturas, livros, e objetos do cotidiano.

Na Grécia Antiga um museu era o Templo das Musas, divindades que presidiam a poesia, a música, a oratória, a história, a tragédia, a comédia, a dança e a astronomia.  Na Jundiaí atual, o museu ainda é das musas, mas agora elas são de carne e osso e homenageiam os 150 anos de história do Museu Solar do Barão.

Organizado pela Comissão Municipal de Literatura, nessa sexta-feira (24), às 19h, os jundiaienses se encontrarão no “Sarau do Barão” para declamar poesias, ouvir boa música com a pianista Nayr Essemberger Guelli, e assim, comemorar os 150 anos do museu. A presidente da Comissão, Rosana Congílio, conta ao SIRVA-SE que o Sarau do Barão estará aberto ao público em geral, e seguirá um estilo informal e participativo, diferente de outros que já aconteceram na cidade. Por isso, todos estão convidados a levar no máximo dois poemas e participar da dinâmica de leituras.

Solar do Barão
Criado pela Lei nº 406, de 10 de junho de 1955, mas inaugurado só em 28 de março de 1965, o Museu Histórico e Cultural de Jundiaí foi fundado pelo Padre Antônio Tolloi Maria Stafuzza. Nas salas do casarão, que foi residência do Barão de Jundiaí (por isso “Solar do Barão”), fica uma exposição de longa duração que retrata a história da casa e do Barão de Jundiaí, a Fratelanza Italiana, com acervo doado pela Sociedade Jundiaiense de Socorros Mútuos – Casa de Saúde Dr. Domingos Anastasio e do Coronel Siqueira Moraes doado pela família, e abriga importantes exposições ao longo do ano.
Urbana, mas com características de sede de fazenda do ciclo do café, pertenceu a Antônio de Queiróz Telles o “Barão de Jundiaí”. Um pavimento extenso, com pé direito elevado e porão alto. Apresenta na fachada principal sequência de dez janelas e uma porta de entrada encimada com arco em ferro, datado de 1862. O Museu possui a Sala Profº Jahyr Accioly de Souza, com capacidade para 80 pessoas, dotada de um piano de cauda, e utilizada para audições, palestras, reuniões e projeções de filmes e documentários. Sem contar o belo jardim utilizado pelos visitantes para aquela gostosa hora de descanso depois do almoço, ou leituras e lazer.

Serviço
Sarau do Barão
Data e hora: 25 de maio, às 19h
Local: R. Barão de Jundiaí, 762 – Centro – Jundiaí/ SP
Informações: (11) 4521-6259/ 4586-8414

Obs.: Matéria feita para o caderno Sirva-se, do JC, em 25.05.2012

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‘Sexo, Orégano e Rock ‘HQ´ Roll’

Angeli tira obras marcantes do fundo da gaveta, no Itau Cultural

“Ao cruzar este caminho, terás a boca inebriada, a carne extasiada, a alma diluída. Serão infinitos os deleites. Salivas, escamas, sabores. Sangue, vísceras, venenos e amores…”, é assim que a curadora Carolina Guaycuru começa a aventura pela Ocupação Angeli. A trilha de fundo, forte e sensual, com música, conduz a viagem pelo excêntrico mundo do chargista Arnaldo Angeli Junior, o Angeli.

Além de homenagear o chargista, de acordo com o Itaú Cultural, as ocupações são criadas “para fomentar o diálogo da nova geração de artistas com os criadores que os influenciaram. O evento integra uma das políticas permanentes do Instituto, que é a preservação da memória artística”. Na exposição, o público tem acesso aos rascunhos de Angeli, conhecendo assim seu processo de criação. Percorrê-la é como observar de perto o artista em seu espaço produtivo.

A curadora Carolina Guaycuru, em entrevista exclusiva ao Sirva-se, contou que levou para a exposição “imagens que o público não tem acesso, como exemplo os cartazes de cinema. A intenção é mostrar o mundo de outro viés, tirando as obras, literalmente, do fundo da gaveta”. Carolina, arquiteta e designer gráfica, fala com propriedade sobre o autor e suas obras, pois além de trabalhar há 15 anos com Angeli, é também sua esposa.
Angeli já teve suas tiras publicadas em países como Alemanha, França, Itália, Espanha, Argentina e Portugal, e há quase 40 anos – desde 1973 – trabalha para a Folha de São Paulo. Do caderno de política ao de cultura, suas charges saem quatro vezes por semana no espaço nobre da página 2. Sua galeria é repleta de personagens marcantes pelo humor anárquico e urbano, mais de 28 mil desenhos já foram feitos. Para Angeli, a regra é não ter regras, contra a politicagem e o politicamente correto, a favor do “grande orgasmo universal” e da ironia, seus personagens nascem e morrem sem pudor ou nostalgia. Um dos grandes destaques de sua carreira é certamente a revista “Chiclete com Banana”, considerada uma das mais importantes publicações de quadrinhos adultos no Brasil, e realizada com a colaboração de nomes como Luiz Gê, Glauco, Roberto Paiva, Glauco Mattoso e Laerte Coutinho.
Entre seus personagens se destacam o esquerdista Meia Oito e Nanico, seu parceiro homossexual; Rê Bordosa, a “porralouca” dos anos 80; Luke e Tantra, adolescentes que só pensam em perder a virgindade; Wood & Stock, dois velhos hippies que perderam os neurônios na década de 60, entre outros não menos importantes.

“Ouse cruzar este caminho. E fique a memória encarregada do resto”

Quem não puder ir até o Itaú Cultural, pode conferir o hotsite da Ocupação Angeli e a programação no link www.itaucultural.org.br/ocupacao. A Ocupação fica até dia 29 de abril no prédio do Itaú Cultural, localizado na Avenida Paulista 149 – Paraíso [próximo à Estação Brigadeiro do Metrô]. O A entrada é franca, e os horários para visitação são de terça a sexta, das 9h às 20h; Sábados e domingos, das 11h às 20h. Informações: (11)2168-1777.

*Matéria publicada no caderno Sirva-se do dia 30/03/2012

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