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Pernambuco em Quatro Atos

O que a princípio era somente uma aula espetáculo que traduzia a cultura do nordeste brasileiro, acabou virando a fantástica peça de rua “Pernambuco em Quatro Atos”, e rendeu a Claudio de Albuquerque o prêmio de melhor ator da 1ª Mostra Estadual de Teatro em 2008.

A bagagem cultural que Claudio trouxe do período em que viveu no nordeste, o tornou referência em Jundiaí sobre cultura popular. Katia Moura, professora de um colégio católico da cidade, convidou o ator para falar de Pernambuco na Feira dos Estados promovida pela escola, e assim nasceu a peça.

Agreste, Sertão, Zona da Mata e Litoral. Os quatro cantos de Pernambuco explorados e representados por seus ícones populares, quem nunca ouviu falar de Lampião, Maria Bonita, Frevo, Maracatu, Capoeira, Bumba meu boi, Literatura de Cordel…e entre outros?!

Para você que ainda não viu, dê uma espiada nestes dois vídeos de uma apresentação em Rio Claro/SP:

Parte I

Parte II

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Um ano inteiro para comemorar!

E 2011 é um ano muito especial para a cultura jundiaiense, pois há cem anos surgia o teatro mais importante da cidade, o Polytheama. O nome de origem latina (Poly = vários) e grega (theama = espetáculos) foi dado por Albano Pereira em 1911, e o sucesso foi tão grande que em 1927 o espaço já passava por reformas para atender o número de pessoas que assistiam aos diversos espetáculos.

Mas o teatro teve seus altos e baixos, e no fim da década de 50 chegou a fechar as portas por culpa do mau comportamento de seus frequentadores. Mesmo depois de passar por tempos difíceis, graças ao empenho de muitas pessoas como a arquiteta Lina Bo Bardi, o espaço se reergueu, foi comprado pela prefeitura e tombado como patrimônio histórico.

Para comemorar o centenário em grande estilo, Jundiaí é a primeira cidade a investir em um Corpo Estável de Teatro, onde os atores recebem salário mensal assim como qualquer trabalhador. Segundo entrevista da diretora do Corpo Estável, Tiche Vianna, isso é uma mostra de que é possível acreditar na arte como um trabalho.

Lúdico Circo da Memória

O Polytheama faz aniversário, mas quem ganha o presente é o público jundiaiense. Os últimos meses foram recheados de atrações comemorativas, com entrada franca ou preços simbólicos, as cadeiras lotaram.

Nos últimos dias 18 e 19 de junho, o Corpo Estável de Teatro do Polytheama iniciou o ciclo de apresentações de sua primeira peça “Lúdico Circo da Memória”, uma adaptação do texto de Luiz Alberto de Abreu.

Para orgulho do Ateliê Casarão, boa parte dos atores que formam o Corpo Estável são alunos ou frequentadores assíduos do espaço alternativo, inclusive o próprio coordenador Claudio Albuquerque. Prova de que cada dia mais o Casarão cresce, presenteando Jundiaí com excelentes artistas!

Acompanhe logo abaixo a ficha técnica do espetáculo e as datas das próximas apresentações. Os ingressos sempre serão gratuitos, cada pessoa tem direito a dois e devem retirá-los uma hora antes do espetáculo. Informações pelo telefone 11 4586-2472.

Anote na agenda!

Ficha Técnica

Lúdico Circo Da Memória
Texto: Luis Alberto De Abreu
Direção: Tiche Vianna
Direção Musical E Execução (Piano): Marcelo Onofri
Direção De Arte: Antonio Apolinário
Atuação Do Corpo Estável De Jundiaí:
Cláudio De Albuquerque
Eduardo Bartolomeu
Érica Doiche
Felipe Tristão
Juliana Segala
Marcelo Silva
Tábata Makowski
Victória Camargo

Estagiários Do Centro De Estudos Do Teatro Polytheama
Celso Junior
Laura Carlota
Raquel Medéia

Professores Preparadores:
Anamaria Barreto, Luzia Carion, Guilherme Terra
Preparadora Corporal: Luzia Carion
Cenário, Figurinos e Adereços : Juliana Fernandes
Assistentes: Leonel Benatti E Renata Meccatti
Pesquisa: Gláucia Mazzei
Pintura Dos Estandartes: Sérgio Viola
Cenotecnico : Ronaldo Rodrigues Fabri
Bonecos : Leonel Benatti
Costureira: Ana Vera Poter
Estagiários Da Oficina De Cenografia :
Marina Meloni Pereira, Glaucia Mazzei, Luiz Fernando Rocha, Luana Nastadja Carvalho, Sámia Arujo Da Silva, Jessica Santinato Corradini

Serviços

09 e 10/08 – 19h30 no Polytheama
20 e 21/09 – 19h30 no Polytheama
15/10 – 20 horas na Sala Glória Rocha
16/10 – 19 horas na Sala Glória Rocha
17 e 18/10 – 15h30 na Sala Glória Rocha
06 e 22/12 – 19h30 no Polytheama

Fontes:

– “Lúdico Circo da Memória” marca a estreia do Corpo Estável de Teatro – 17/06/2011
– Parabéns Polytheama! por Mônica Lopes. Revista Em Focco Magazine. #04. Maio 2011.

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Uma Alternativa de Espaço!

Não é difícil entrar no Ateliê Casarão e ver jovens empolgados falando de arte, a cozinha movimentada e os dois pequenos cômodos da casa lotados com alunos de todas as idades. Aberto de segunda a segunda, o coordenador Claudio de Albuquerque fez de seu lar um espaço artístico cultural muito acolhedor, onde nem as paredes escapam das mãos talentosas de seus frequentadores.

Inaugurado oficialmente em 02 de fevereiro de 2008, o objetivo é servir como alternativa de espaço aos artistas da região para criação, ensaios, apresentações e debates sobre o fazer artístico, cultural e social. Hoje, o Ateliê Casarão possui duas salas para ensaios, estacionamento, espaço externo para criação de cenário e intervenções de artes visuais, além de uma biblioteca com mais de 500 DvD’s, 400 Cd’s, 300 livros e 200 textos teatrais para consulta.

 

Francisco Nicioli, de 13 anos, é filho da Marici Nicioli, professora de teatro na Casa da Cultura junto com Claudio Albuquerque, e frequentador assíduo das atividades do Casarão. O garoto vive em contato com a arte desde criança, há muito tempo conhece o local e até fez aulas de teatro. Segundo ele, o mais interessante é que o Casarão vem crescendo a cada dia, mas sem perder sua essência e seu jeito acolhedor de receber as pessoas, uma verdadeira família.

A programação mensal pode ser acompanhada através do blog Ateliê Casarão.
Confira agenda de oficinas logo abaixo e faça sua visita:

Segunda-feira

20h00 às 22h00 – Oficina de Teatro com Claudio Albuquerque (á partir dos 18 anos)

Terça-feira

19h00 – CIA Solo (sala locada para o grupo independente)

18h30 às 20h00 – Castanhola com Rodrigo de La Sierra

20h30 às 22h00 – Dança Flamenca com Rodrigo de La Sierra

Quarta-Feira

18h30 – Dança Flamenca com Rodrigo de La Sierra

20h00 às 22h00 – Percussão com Kleber Moura

Quinta-Feira

19h00 às 22h00 – Oficina de Teatro com Claudio Albuquerque (á partir dos 15 anos)

19h00 às 20h30 – Dança Cigana com Mônica D’andaluz

20h30 às 22h00 – Dança Flamenca com Rodrigo de La Sierra

Sábado

10h30 às 12h00 – Dança do Ventre com Maristela Demarchi e Regiane Porfírio

14h00 às 16h00 – Oficina de Teatro (de 12 á 16 anos)

16h30 às 18h30 – Oficina de Teatro (de 15 á 20 anos)

Além das oficinas, o Ateliê Casarão ainda promove eventos como:

– Workshop de Contato e Improvisação, com Franciele Ramires

– Oficina Arte do Riso = Aulas de Palhaço (a cada 4 meses)

– Apresentações Teatrias;

– “Comediando” = Mediar e Fomentar o andar da Comédia na região (bimestral)

– “Clowntidiano” = Encontro de Palhaços da região (bimestral)

– “No interior do Improviso” = Com grupo Mixórdia

– Sarau dos Arteiros = Apresentações com artistas da região (todo mês)

Confira as fotos das aulas e eventos do Casarão na página do Facebook – O Arteiro Jundiaiense

Para saber mais acesse www.ateliecasarao.blogspot.com

Ou entre em contatos pelo e-mail ateliecasarao@hotmail.com ou pelo telefone (11) 6852-3849

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Arteiragem – Parte II

Inspirações

Quando criança desejava ser motorista de ônibus, acreditando que os botões de pressão que abriam e fechavam as portas eram capazes de dar todo poder sobre a vida dos passageiros, ele imaginava o que aconteceria se o motorista parasse o ônibus e não quisesse mais abrir as portas, todos poderiam ficar presos ali para sempre. Esse poder o fascinava.

Claudio diz que nunca tinha pensado em ser ator, mas que por volta dos cinco anos, construía cidades em seu quarto e gostava de passar dias coordenando-a. Uma mostra de que dirigir (histórias, peças e espetáculos) já era parte de sua essência.

Grandes pessoas inspiraram seu trabalho, começando pelo avô Nemias Alencar e o incentivo de sua mãe Luzinete. A sorte (e dedicação) também o levou a conhecer ícones da cultura popular brasileira como o Mestre Salustiano, que foi ícone do Maracatu Rural, bóia fria, analfabeto e contra a vontade de muitos, secretário da cultura em Pernambuco. Mestre “Salu” lhe ensinou lições valiosas como o respeito a família, aos mais velhos e a tradição de seu povo, ele foi o grande responsável por fazer Claudio se apaixonar por cultura popular.

Em 2001, graças a sua participação no Festival Internacional de Palhaços “Risos da Terra” ocorrido em João Pessoa/PB, Claudio Albuquerque fez amizade com o dramaturgo Ariano Suassuna, ufanista e eterno defensor da cultura nordestina, chegando a trabalhar junto com ele na montagem do espetáculo “O santo e a porca”. Anos depois, quando o dramaturgo veio a Jundiaí para a inauguração da Casa da Cultura Ariano Suassuna, os dois se encontraram e Ariano teceu elogios ao arteiro jundiaiense. Segundo Claudio, essa benção foi responsável pelo começo do sucesso de seu trabalho na cidade.

Além dessas referências na cultura popular, o artista também flerta com muitas outras expressões artísticas como a poesia de Manuel de Barros, o cinema de Luiz Fernando Carvalho, a literatura de Ferreira Gullar e até mesmo a vida e obra de Frida

Kahlo. Mais do que peças, com essa bagagem o ator busca faz experimentos, sempre buscando o teatro como vivência cênica.

O Arteiro Jundiaiense

Desde que chegou a Jundiaí, Claudio Albuquerque não parou mais. Em 2008 fez de sua casa um espaço que oferece cursos de teatro, dança e música, nascendo assim o Ateliê Casarão. De portas abertas o lugar acolhe jovens de segunda a segunda, dando a eles “Uma alternativa de espaço, e não um espaço alternativo.”

Além disso, o ator divide seu tempo dando aulas de teatro na Casa da Cultura e participando do Corpo Estável do Polytheama, teatro que completa cem anos em Jundiaí. Tem projetos futuros como regionalizar a peça de rua Pernambuco em Quatro atos, e fazer algo inspirado na artista Frida Kahlo.

Agora em 2011, Claudio publicou pela primeira vez uma de suas poesias, e a partir dai, o desejo de se lançar no mundo das letras cresceu. Segundo ele, a escrita em sua vida é uma compulsão, sempre escreveu, mas nunca mostrou a ninguém. Sua escrita é sem compromisso, assim como se faz em um diário adolescente.

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Arteiragem – Part I

Passos ligeiros cheios de jingado, quando a “Véia do Bambu” ou o Lampião entram em cena, o público fica vidrado. Não é difícil ver rostos perplexos tentando adivinhar de onde vêm tantas histórias e a habilidosa expressão corporal do artista brincante, que ali apresenta Pernambuco em Quatro atos.

Quem não conhece a vida de Claudio Alencar, mais conhecido em Jundiaí como Claudio Albuquerque, fica a supor que tal peça nasceu de estudos acadêmicos, baseados em livros de autores consagrados ou grandes pesquisadores do Nordeste brasileiro. Mas ledo engano de quem achar que é só isso.

Nascido em 13 de julho de 1977, no bairro do Limão em São Paulo, Claudio Pereira de Albuquerque é filho de Valdeci Henrique Albuquerque e Luzinete Pereira de Souza. Primos que saíram da Paraíba e acabaram se encontrando na capital paulista.

Quando o garoto tinha apenas sete anos, por culpa da profissão de seu pai como comerciante de figurinha, sua família saiu de São Paulo e se mudou para a cidade de Campina Grande na Paraíba. Depois de um ano seguiram para Recife/PE, local onde o pequeno arteiro passou toda a adolescência e o começo da juventude. Mas foi no quarto ano da faculdade de engenharia mecânica que seus pais mais uma vez tiveram de partir para outra cidade, Claudio sabia que não daria certo morar sozinho, e assim, depois de treze anos em Recife se mudaram para Salvador/BA.

A arte como profissão

Em Recife, Claudio conviveu com o Maracatu e o Cavalo Marinho, mas nunca os vira como expressões artísticas. Por vezes sentiu vergonha do avô Ananias Alencar, comerciante de doces que saía vestido de palhaço nos carnavais paraibano. A arte chegou à sua vida como uma brincadeira, os folguedos eram apenas momentos de diversão onde podia encontrar os amigos, fazer um “Auê” e ir atrás das meninas.

Mas foi durante os oito anos em que viveu em Salvador que seu amor pelas artes começou a tomar uma dimensão real e palpável. Através do curso de teatro oferecido pela Secretaria de Cultura, Claudio passou a desenvolver suas habilidades como ator. Segundo ele o teatro talvez tenha sido sua única opção, por se tratar de uma arte barata. No fundo, sua paixão sempre foi à poesia, o cinema e as artes plásticas.

Ao voltar para as terras paulistas, em São Bernardo do Campo conseguiu o registro como ator, passando a se chamar Claudio Alencar em homenagem ao avô Nemias Alencar. Nome este que infelizmente, por questões burocráticas, não pode manter quando passou a desenvolver seus projetos com cultura popular na cidade de Jundiaí.

Continua…

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O Arteiro Jundiaiense

Ator, poeta, palhaço, cantor, dançarino, músico, professor, jundiaiense, pernambucano, paulista…

É difícil descrever quem é Cláudio Pereira de Albuquerque.
A primeira vez que o vi foi no ano passado (2010), quando gentilmente deu dicas de intervenção urbana para os voluntários do Voto Consciente Jundiaí. Como sempre faz, abriu as portas do Casarão e nos ensinou a dar asas a imaginação.

Antes de conhecer esta alternativa de espaço pensava que a cultura jundiaiense estava falhida, e os jovens perdidos sem opção cultural. Mas tudo mudou quando passei a frequentar os Ateliê Casarão no último mês, conheci os artistas da região, dancei maracatu, assisti a ensaios teatrais, ri muito com os amigos do Mixórdia…enfim, passei a viver a arte e aprendi o quanto ela é importante na formação de cada cidadão.

Esse é o motivo pelo qual escolhi Claudio de Albuquerque como personagem principal, para agradecer e homenagear este que tem mudado a vida de muitos jovens sedentos por arte e cultura.

Fica meu agradecimento a todos que colaboraram!
Um grande abraço!


Site Oficial do Concurso Rumos Jornalismo Cultural 2011

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