Minha bíblia de Sincericídios – Parte I: Crítica a inércia.

Quem me conhece há pouco tempo, com certeza já me viu enchendo a cara, pegando quem da na telha, falando abertamente de sexo, orgasmos, asneiras e palavrões, e por isso, se espanta quando digo que há quatro anos eu era coordenadora de grupo de jovens e freqüentava a missa todo domingo. É fato que nunca fui o tipo de cristã fanática e alienada, que pregava coisas que não vivia e achava que viver intensamente era um pecado mortal, mas ainda assim, meu censo crítico não chegava a ser tão apurado quanto é agora, depois que decidi criar asas e viver minha própria vida.

Sempre me lembro do filme 300, no qual as crianças espartanas eram mandadas para a floresta para viver os perigos e privações, e se tornar um guerreiro de verdade. E foi praticamente isso o que fiz, com 19 anos finalmente sai da redoma de vidro e fui para “O Mundo”… Aquele lugar frio e sombrio, bem parecido com o inferno, segundo a ridícula imaginação dos pseudo católicos.

Experimentei muito do que eu tinha vontade, sensações, sentimentos, prazeres e desprazeres. Conheci pessoas e lugares. E até agora, um pouco menos frenética, ainda não cansei de cair e aprender a levantar. Sei que falta muito para viver e conquistar, no entanto, sinto-me bem menos reprimida e infeliz. Diante do espelho passei a ver quem realmente sou. E digo em alto e bom som, tem valido a pena tocar o foda-se em tudo e olhar para o meu próprio umbigo, às vezes é necessário um pouco de amor próprio.

Mundo X Igreja

Desde então tem sido difícil engolir pessoas e discursos, muitas vezes hipócritas, toda vez que visito a comunidade a qual pertenci. Parece que pararam no tempo, e todos só sabem repetir de maneira robótica aquilo que é ensinado há séculos. Não pensam, não vivem e muito menos sentem.  E aí do padre que tentar mudar!

E isso não é culpa do Catolicismo não, sempre que leio materiais elaborados a nível nacional, percebo que a igreja tem se adaptado a realidade e as novas tendências da sociedade contemporânea. Mas o problema tem um nome, HOMEM. É o homem que desanda a receita. Que usa a igreja em benefício próprio, para massagear o ego e o bolso.

Se o nego é submisso no trabalho, quer ser o manda chuva na igreja. Se não é compreendido em casa, briga com todos na igreja. Se não faz da vida o que ama, tem o prazer de destruir os sonhos alheios, e eu ficaria dias falando das merdas que tenho presenciado. Muitas comunidades acabaram se tornando igual ao mundo que tanto demonizam, isto é, se não forem piores.

Então me diga você ai que não sai da igreja, o que tem feito para que as pessoas trilhem o mesmo caminho que você escolheu? Se Jesus é a salvação, o que tem feito para que as pessoas o encontrem? Evangelizar dando catequese para quem vai até a igreja é fácil, mas e no seu dia a dia, você tem sido igreja? Tem sido sal da terra e luz do mundo?

Resistência da Fé

É claro que na intenção de impressionar e fazer você parar para pensar, estou sendo estupidamente generalista. Felizmente ainda há pessoas que fazem a diferença e lutam todos os dias para transmitir com fidelidade as mensagens de Cristo. Pessoas que tentam manter o divino equilíbrio entre fala, ação e oração, sem discriminar as demais religiões e excluir os que estão a margem da sociedade.

Algo que admiro muito na Igreja Católica, são as ações pastorais praticadas e incentivadas. Ações pelas quais a Igreja realiza a sua missão, que consiste primariamente em continuar a missão de Jesus Cristo. O objetivo não é o assistencialismo, mas sim, a evangelização somada a ação. Para quem não conhece existem várias, como: Pastoral da Comunicação, Pastoral da Mulher, Pastoral Carcerária, Pastoral da Saúde, Pastoral Afro-Brasileira, Pastoral de DST/AIDS, Pastoral da Terra e entre outras.

Em meu sangue corre a indignação com as injustiças desse mundo, e por isso, desde cedo meu pai dizia que eu devia ser da política, assim poderia canalizar minha rebeldia. A questão é que minha língua não cabe na boca e nem dentro do “Sistema”, o sincericídio é tanto, que sempre reconheci em mim a falta de vocação para o mundo da politicagem. Não sei fazer média, não sei puxar saco, não sei fingir que não sei.

Para mim quem faz política hoje são as organizações apartidárias, os cidadãos que todos os dias fazem suas pequenas ações transformadoras, os cristãos da Pastoral da Fé e Política que evangelizam e ensinam seus irmãos a votarem conscientes, e entre outras manifestações.  Se você vai a igreja e as urnas só por obrigação baby, meus pêsames!

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Filed under Cotidiano, Eu, Política

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