“Sob a lua, num velho trapiche abandonado”

Projeto Escola apresenta “Capitães de Areia”, obra de Jorge Amado, boicotada na ditadura, para o público estudantil

Jorge Amado sabia o que era necessário para uma transformação radical na sociedade: “a solução dos problemas humanos terá que contar com a literatura, a música, a pintura, enfim, com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura será sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade” e, assim, se fazem desnecessárias muitas teorias.

Perseguido pela ditadura em 1937, mais de 800 exemplares foram queimados em praça pública, a história de um grupo de menores abandonados de Salvador foi taxada como nociva a sociedade nos anos 30, afinal, os únicos capitães da época eram os comandados pelo governo de Getúlio Vargas. Repleto de beleza, dramaticidade e lirismo, felizmente, o livro Capitães de Areia transgrediu décadas e não morreu em meio às chamas da censura.

A obra de Jorge Amado, que também virou filme em outubro passado, dirigido por Cecília Amado e Guy Gonçalves, fala de um grupo de menores abandonados, chefiado por “Pedro Bala”, que recebe o nome de Capitães da Areia e tem em comum a pobreza, a vida insalubre, uma vaga revolta contra o mundo hostil, a liberdade que encontra nas ruas, a lealdade grupal e uma certa maturidade prematura que, contudo, cede lugar a rasgos de deslumbramento infantil ou à falta de uma mãe.

Adaptado e dirigido por Renato Mano, Capitães de Areia é uma das peças apresentadas pelos paulistanos do Grupo Trapiche, para o Projeto Escola que visa levar ao Teatro Polytheama releituras dos clássicos da literatura nacional, algumas delas leituras obrigatórias para o vestibular. Na próxima semana haverá três sessões, uma na quarta-feira (16), às 20h30, e duas na quinta-feira (17), às 18h30 e 20h30.

O ano todo é corrido para quem está se preparando para o vestibular, revisões e muitas leituras, um trabalho cansativo que exige disciplina e concentração. Abrir mão de coisas legais como passeios e baladas já é parte do cotidiano, mas nem sempre é saudável. Segundo a psicopedagoga Valderez de Mello, aprende melhor quem busca os conhecimentos oferecidos de forma dinâmica e prazerosa. No caso do teatro, essa participação é capaz de guardar registros mais profundos, diferente da leitura que é um ato passivo. Valderez afirma, “no teatro o público se coloca no lugar do ator, sente a história como se fosse ele, e isso causa um registro por longo tempo. Conforme esse tempo passa, a percepção sobre o que foi aprendido vai mudando e se adequando a realidade, assim, tudo passa a ter outro valor, como se estive em um casulo que guarda transformações.”

Serviços:
Autor: Jorge Amado
Adaptação e Direção: Renato Mano
Elenco: Glauber Leme, Cícero de Andrade, João Miller, Hélcio Vidal, Tássia Machado, Érika Mendes e outros
Duração: 75 minutos
Censura: 12 anos
Local: Teatro Polytheama
Data: 17 de Maio
Horários: 18h30 e 20h30
Ingressos: Inteira: R$ 30,00 / Meia entrada: R$ 15,00 / Pacote para escolas: R$12,00
Informações e reservas: (011) 8020-1054 [Oi] – (011) 9868-1371 [Vivo] – (011) 8603-7262 [Tim] – (011) 4496-3894 [Itupeva]- (011) 4586-2472 [Teatro Polytheama] – email: artpromo.jundiai@gmail.com

Obs.: Matéria feita para o caderno Sirva-se, do JC, em 11.05.2012

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