‘Rosas de Aço’

É na “ponta da língua” que as mulheres guardam a doçura que cura como um remédio, ou o veneno que destrói

Como já dizia o filósofo grego Plutarco de Queronéia, “Nada é tão flexível como a língua da mulher, nada é tão pérfido como os seus remorsos, nada é mais terrível do que a sua maldade, e nada é mais sensível do que as suas lágrimas.” É na “ponta da língua” que as mulheres guardam a doçura que cura como um remédio, ou o veneno que destrói.
A voz bem colocada da atriz. Passo firme, largo e marcado pela bailarina. E a simpatia da contadora de histórias que se espelha na querida vovó Dona Benta, de Monteiro Lobato. É da gostosa mistura desses ingredientes que surge o trabalho das meninas jundiaienses da Cia. Na Ponta da Língua.
Joelma Marcolino, Luiza Bitencourt, Marcela Derpich, Marici Nicioli e Paula Miurim resgatam com sua arte a importância da contação de histórias, dos ensinamentos orais passados de geração para geração, do lúdico que com a modernidade foi perdendo espaço para novos tipos de manifestações culturais.
Contempladas pelo Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural do Ministério da Cultura – Governo Federal, em outubro de 2011, as cinco atrizes realizaram uma viagem inesquecível para a Argentina, onde puderam representar Jundiaí no “Encontro Internacional Magdalena 2ª Geração – Mulher, Teatro e Oficio”. Lá, elas participaram de diferentes atividades como oficinas de canto, expressão e consciência corporal, danças folclóricas argentinas, dramaturgia, debates, espetáculos teatrais, além de encenar trechos de “Rosas de Aço”, o espetáculo apresentado por elas aqui no Brasil.
Luiza Bitencourt, 24, conta que “o momento foi incrível, pois tivemos a oportunidade de conhecer outras artistas, tanto do Brasil, como de outros países. Poder compartilhar nossa cultura e o nosso trabalho com grandes atrizes foi maravilhoso, porque elas olham pra gente como igual (não melhores) e te apontam caminhos e dizem suas impressões”, orgulhosa com a experiência. Luiza ainda ressalta que muitas vezes as dificuldades são as mesmas para quem quer viver de arte, o que diferencia é à força de vontade de cada um.
A partir deste intercâmbio, elas estão agora ligadas a Rede Magdalena, uma rede de mulheres, difundida em mais de 50 países, podendo assim manter contato com profissionais da área artística do mundo todo, com troca de experiências, divulgação de trabalhos e pesquisas.

Uma lição para Jundiaí
Em contra partida cultural ao Apoio do Fundo Nacional de Cultura, as meninas da Cia. Na Ponta da Língua realizarão no próximo sábado (10), a partir das 13h30 no Museu Solar do Barão, a oficina “Cabeças que dançam e pés que pensam”, em que compartilharão, em 3h30 de oficinas, os conhecimentos adquiridos na Argentina. Nesta oficina aplicarão conceitos do trabalho de interpretação, dramaturgia, expressão e consciência corporal de Ana Woof, Blanca Rizzo, Lucia Sander e Silvia Vladimivsky.
Para encerrar, no domingo (11), às 18h, no teatro Gloria Rocha, a Cia. apresentará seu trabalho “Rosas de Aço”, gratuitamente a toda população. Em apoio, a Secretaria Municipal de Cultura de Jundiaí, levará ao teatro mulheres que vivem em alojamentos, e que recebem algum tipo de apoio de assistência social na cidade, para que contemplem o espetáculo e conheçam a Sala Glória Rocha. Quem quiser conhecer a Cia. Na Ponta da Língua, basta acessar: http://www.cianapontadalingua.blogspot.com.

Obs.: Publicado no caderno Sirva-se do Jornal da Cidade, dia 09/03/2012

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