Sentidos

Num mundo dialógico, minha mente se vê inquieta, e louca para interagir com o texto do amigo Bor Zanon, que divaga sobre cheiros e momentos especiais. Passei a refletir… Qual a importância que os cinco sentidos têm sobre o ato de recordar?

As escolas às vezes parecem ignorar, mas é certo que cada ser humano tem uma forma diferente de aprender (e aprender nada mais é do que recordar). Em meu caso, por exemplo, aprendo (e recordo) com facilidade através da memória visual, e dificilmente, processo as mensagens que me são passadas pela audição. Sinceramente não tenho a menor ideia de como isso acontece, afinal, segundo o exame meus ouvidos trabalham perfeitamente, mas já meus olhos… esses sim carregam altos graus de miopia e astigmatismo. Voltando aos cinco sentidos e as lembranças, entrei em uma viagem com destino a experiências passadas…

Janeiro de 2011. É verão, e o tempo esta úmido de tanta chuva. Cheiro de terra molhada. O vento fresco beija meu rosto, e a pele arrepia. Na boca o aroma do figo, matéria prima dos doces da infância. Ouço o som dos pássaros, espécies diferentes que não reconheço. As folhas assoviam na melodia dos grilos e cigarras. Vejo árvores e mais árvores. Um “Bom Dia” a Thais. E passos largos até o antigo casarão, atual sede da Associação Mata Ciliar.

Maio de 2011. Outono, quase inverno. O cheiro enjoativo do café torrado invade a sala. Raios de sol aquecem a pele, me obrigando a tirar o sweater. Pela manhã pão de queijo com coca-cola para curar a ressaca, e yogurt com granola no café da tarde (um quase jantar). Olhos cansados, fim de expediente na agência P Comunicação. E um feliz “Até amanhã” ao gentil Matheus.

Outubro de 2011. Primavera. Manhã gelada. Ouço o barulho do metrô que se aproxima. As ruas cheiram a urina. Na saída da estação, os mendigos adormecidos não se incomodam com os ruídos inquietantes da cidade que não dorme. Pão de queijo no café da manhã, mas dessa vez acompanhado do chocolate quentinho da máquina de expresso. Risadas por vezes sarcásticas do Adriano, sincero e sem paciência, cara de bad boy para esconder o coração imenso. Tudo é diferente e importante, a sede de conhecimento impede meus olhos de ver a maldade, violência e poluição que cobrem o coração do Brasil. São Paulo. Secretaria de Segurança deixou saudades.

Janeiro de 2012. Novamente verão. Mais cheiro de chuva. Mais desastres ecológicos. É a natureza dizendo “porra, me respeite!”. Desta vez é a buzina que soa freneticamente no lugar dos pássaros. O motor ensurdecedor do ônibus interfere o fluxo de pensamentos. Os pingos d’água, gelados, caem sobre os ombros nus. Na redação, os vizinhos ouvem um funk nojento, com letras machistas. Karol chega com o doce perfume Channel. Os dedos lentos não digitam no ritmo dos meus pensamentos (jamais conseguiriam). Mentos, Trident, uvas, bananas, goiaba branca e coca-cola são partes do cardápio. E meus olhos…haaa meus olhos!! Eles brilham ao ver a matéria que custou a sair, linda diagramada e publicada no Jornal da Cidade de Jundiaí.

Enquanto isso, família, amigos e amores preenchem as lacunas das poucas horas de prazer e descanso. Antigos amores, amores platônicos, amores impossíveis e futuros amores. Cada um com seu gosto, cheiro, imagem, textura, suspiro e boas lembranças. Atualmente perdidos e distantes, me vejo obrigada a rendição ao sexto sentido, para com ele os outros reencontrar. Lembranças (Ó doces lembranças!),  que os sentidos ajudam a guardar!

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