Arteiragem – Parte II

Inspirações

Quando criança desejava ser motorista de ônibus, acreditando que os botões de pressão que abriam e fechavam as portas eram capazes de dar todo poder sobre a vida dos passageiros, ele imaginava o que aconteceria se o motorista parasse o ônibus e não quisesse mais abrir as portas, todos poderiam ficar presos ali para sempre. Esse poder o fascinava.

Claudio diz que nunca tinha pensado em ser ator, mas que por volta dos cinco anos, construía cidades em seu quarto e gostava de passar dias coordenando-a. Uma mostra de que dirigir (histórias, peças e espetáculos) já era parte de sua essência.

Grandes pessoas inspiraram seu trabalho, começando pelo avô Nemias Alencar e o incentivo de sua mãe Luzinete. A sorte (e dedicação) também o levou a conhecer ícones da cultura popular brasileira como o Mestre Salustiano, que foi ícone do Maracatu Rural, bóia fria, analfabeto e contra a vontade de muitos, secretário da cultura em Pernambuco. Mestre “Salu” lhe ensinou lições valiosas como o respeito a família, aos mais velhos e a tradição de seu povo, ele foi o grande responsável por fazer Claudio se apaixonar por cultura popular.

Em 2001, graças a sua participação no Festival Internacional de Palhaços “Risos da Terra” ocorrido em João Pessoa/PB, Claudio Albuquerque fez amizade com o dramaturgo Ariano Suassuna, ufanista e eterno defensor da cultura nordestina, chegando a trabalhar junto com ele na montagem do espetáculo “O santo e a porca”. Anos depois, quando o dramaturgo veio a Jundiaí para a inauguração da Casa da Cultura Ariano Suassuna, os dois se encontraram e Ariano teceu elogios ao arteiro jundiaiense. Segundo Claudio, essa benção foi responsável pelo começo do sucesso de seu trabalho na cidade.

Além dessas referências na cultura popular, o artista também flerta com muitas outras expressões artísticas como a poesia de Manuel de Barros, o cinema de Luiz Fernando Carvalho, a literatura de Ferreira Gullar e até mesmo a vida e obra de Frida

Kahlo. Mais do que peças, com essa bagagem o ator busca faz experimentos, sempre buscando o teatro como vivência cênica.

O Arteiro Jundiaiense

Desde que chegou a Jundiaí, Claudio Albuquerque não parou mais. Em 2008 fez de sua casa um espaço que oferece cursos de teatro, dança e música, nascendo assim o Ateliê Casarão. De portas abertas o lugar acolhe jovens de segunda a segunda, dando a eles “Uma alternativa de espaço, e não um espaço alternativo.”

Além disso, o ator divide seu tempo dando aulas de teatro na Casa da Cultura e participando do Corpo Estável do Polytheama, teatro que completa cem anos em Jundiaí. Tem projetos futuros como regionalizar a peça de rua Pernambuco em Quatro atos, e fazer algo inspirado na artista Frida Kahlo.

Agora em 2011, Claudio publicou pela primeira vez uma de suas poesias, e a partir dai, o desejo de se lançar no mundo das letras cresceu. Segundo ele, a escrita em sua vida é uma compulsão, sempre escreveu, mas nunca mostrou a ninguém. Sua escrita é sem compromisso, assim como se faz em um diário adolescente.

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