Imperfeição

           O dia esta lindo e inspirador, o sol brilha forte, a brisa fresca beija meu rosto enquanto caminho tranquilamente ao redor do lago, uma típica tarde de outono. Meus pensamentos divagam, e coincidentemente quem eu mais queria aparece a minha frente… quando Triiiiiiiiiiim!!! Triiiiiiiiiiiiiiim!!! Triiiiiiiiiiiiiim!!!… o despertador toca, um barulho ensurdecedor invade meu sonho, e acaba com a  minha felicidade. Como não acordar de mau humor?

            Levanto-me rapidamente em meio ao quarto escuro, ainda perdido com o susto, dou alguns passos em direção ao interruptor, mas meu pequeno dedo do pé ainda dormindo resolve estupidamente encarar a madeira da cama…aaaaaaaaaaaaaaaaaaaiii!!! #$@%$¨%… os olhos enchem de lágrimas, e a vontade de xingar a humanidade se torna infinitamente superior ao meu amor por lasanhas.

            Onze horas da manhã, não tenho o que fazer além de ficar olhando meu Facebook a cada 5 minutos para saber se tenho uma nova atualização. Os olhos sempre cansados reclamam, afinal tanta miopia só serve para uma coisa, dores de cabeça! De barriga cheia sigo reclamando, dói aqui, dói ali, não tenho isso, eu queria aquilo. Não levanto a minha bunda da cadeira nem para estender a cama bagunçada atrás de mim. Minha vida é reclamar, sou perfeito, mas só eu não sei disso. Meu passatempo favorito é viver insatisfeito.

            Treze horas. Minha mãe resolve dar uma de boa samaritana mais uma vez, hoje é dia de levar sua jovem amiga ao médico. Distante e alheio aos problemas que não são colocados em minhas redes sociais, não tenho ideia do que se passa ao meu redor. Passos lentos, voz firme e vibrante, ela caminha em direção ao nosso carro. Mas onde estão aqueles lindos cabelos negros que vi da ultima vez? Seu corpo frágil é mais ágil que o meu ao se sentar.

            Com apenas 25 anos sua juventude se tornou limitada, um câncer tomou conta de sua coluna vertebral, e mal podia se sentar. Quimioterapia, radioterapia, remédios fortes e sua Fé em Deus são partes do tratamento. O sorriso não sai do rosto, não gosta de reclamar, mas as dores estão chegando a beira do insuportável. Seus amigos se preocupam e choram a dor da amiga escondidos, a família tenta ser forte.

            Fico em meu destino, e minha mãe segue para levá-la a mais uma sessão de duas horas de tratamento. Ali parado, na mesma posição em que desci do carro e me despedi, um filme passou por minha cabeça… uma única pergunta martelava minha mente… porque sou tão insatisfeito?

P.S: Este texto é parte de alguns de meus devaneios, histórias que se misturam em minha cabeça e gritam exigindo liberdade.

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Filed under Cotidiano

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