Arte de Criticar a Arte

No último ano da faculdade de jornalismo, finalmente minha mente se abre para um novo e fantástico mundo, começo a navegar nos mares da tão conhecida e mal compreendida Crítica Artística. Seja para literatura, cinema, artes plásticas, ou qualquer uma das sete belas artes, a primeira lição a se aprender é tão simples quanto parece, pois quando se trata da Arte de Criticar a Arte, não basta gastar o vocabulário de palavras extensas e penosas, para simplesmente dizer se algo é bom ou ruim, certo ou errado, feio ou belo. A essência da Crítica Artística é provocar, causar reflexão, gerar conhecimento, transformar a sociedade, formar pensadores, expandir, explorar, intervir… Enfim, revolucionar!

Muitas pessoas levaram ao pé da letra a Crítica como censura, e esqueceram-se do seu papel principal como responsável por analisar a fundo, interpretar e traduzir para o público o significado de cada obra. Por motivos comerciais, ou para se auto promover, uma nova geração de críticos vem destilando seu veneno e apostando em comentários ácidos e ignorantes na intenção de chamar atenção.

Em meu altruísmo, imagino que toda e qualquer obra deveria ser respeitada e analisada com carinho, afinal, como gostaria que minhas criações fossem tratadas? Obviamente não estou fazendo apologia ao chamado “passar a mão na cabeça”, pois de fato existem coisas de péssima qualidade, difíceis de digerir. Mas refiro-me a crítica sincera, construtiva, livre de amarras políticas/ideológicas/financeiras, e principalmente impessoal.

A maior discussão no mundo jornalístico é a tão massacrada imparcialidade, ela existe? O quanto podemos ser isentos de nossos gostos, conceitos e verdades únicas? Concordo em partes que tal distanciamento do assunto seja impossível, mas ingenuamente também acredito no bom censo. Porque não gosto de sertanejo universitário, serei incapaz de assumir sua importância histórico cultural para este momento do nosso país?

Fico a refletir, aquela música não comercial que é produzida nos quartos apertados, porões ou garagens, onde existe a preocupação com composições, letras, melodias… são verdadeiras obras de artes que nascem e morrem escondidas. Enquanto isso, em outro canto músicas comerciais sem conteúdo, saídas de uma forma padrão, arrastam multidões. Então como julgar o que é bom ou ruim se o povo gosta? Falta conhecimento? Erudição? Para que isso serve quando a “boa música” não é capaz de agitar o meu povo? De lhe trazer felicidade ou provocar emoções?

A arte nunca vai chegar ao povo, enquanto sua linguagem não for direcionada e seu significado traduzido de forma clara e objetiva. Mas ai vai outra pergunta que me faço todos os dias, realmente há interesse de que o povo tenha acesso a cultura? Ou será que a nata da sociedade quer se manter o mais longe possível, para continuar seu reinado, se achando diferente e especial?

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5 comentários

Filed under Cultura

5 responses to “Arte de Criticar a Arte

  1. A arte é mais que a própria arte.
    Partindo dessa premissa fica praticamente impossível dinsinguir o que é bom do que nos agrada e ai entra uma grande questão: O que me agrada, agrada a voce Também? Se sim por qual motivo, se não, por que razões não te afeta de maneira positiva no quesito gosto.
    Tratar com a massa, sempre condicionada a linhas de comportamento de caráter geral, foi, é e sempre será o grande segredo das grandes manipulações. Vejo uma fotografia de uma mulher nua e a acho linda, dotada de “visão”, vejo a fotografia de um homem nú e acho um absurdo. Ai então eu pergunto por que??
    Tenho pra mim que quando conseguimos nos libertar da prisão de refêrencias que nos é imposta e digamos assim, subir um degrau acima, conseguimos analisar tudo de um contexto mais amplo de uma visão maior e ai com um ar de racionalidade somos capazes de descrever os reais motivos das coisas.
    Bora fotografar, hehehe.

  2. Na moral, bem mano pra não pagar de cult. Acesso a cultura todos temos, se alguns preferem compartilhar tirinhas memes a uma boa leitura não é problema “da elite”, que obviamente prefere que as classes mais baixas não se interessem por coisas que, de fato, causem reflexão.
    Sobre criticar a arte, acho que devemos sim expressar o nosso “gostar” ou “não gostar”, agora também é necessário respeitar os gostos alheios, sejam esses Chico Buarque, que acho chato, ou mesmo um funk do gueto, que acho engraçado mas chulo.
    Até por que gostar de algo de “baixo nível cultural” não torna ninguém menos inteligente, do mesmo modo que curtir algo de “alto nível cultural” não deixa ninguém menos burro (pega os eufemismos). Conheço pessoas que não sabem pronunciar Freud e gostam do que o post chama de “boa música”, do mesmo modo que conheço pessoas com mestrado em Universidade Federal que são aficionados por futebol, julgado por muitos extremamente fútil.
    Ou seja, o texto está certo, devemos respeitar os gostos alheios, principalmente quando é esfiha de atum que eu adoro e me criticam muito por isso =D

    • Obrigada pelo comentário Rodolfo!
      A intenção é exatamente essa, despertar o pensamento crítico em cada um, e estimular discussões.

      Quanto aos rótulos certo ou errado, bom ou ruim, bonito ou feio…não sou nada de acordo em utilizá-los (isso é minha opinião, que por sinal não vale muita coisa!kkk). Claro que é importante ter uma posição, claro que há artes nada louváveis, mas como Críticos de Arte (ATENÇÃO: o texto é um crítica aos supostos críticos, e não há quem consome) não acho legal, pois muitas vezes as comparações são injustas (ex: comparar o Caderno 2 do Estadão, com o Sirva-se do JC). Boa parte desse texto foi construído a partir da leitura do livro “Jornalismo Cultural”, de Daniel Piza, se quiser saber mais vale a pena ler.

      Acesso todo mundo tem, mas na teoria. Pq raramente sabemos sobre a arte que a periferia produz? Onde esta o underground nos jornais, TV, rádio, revistas? É tudo comercial, e isso causa sim a falta de acesso.

      Ralo pra pagar 90,00 de internet por mês e me manter informada, mas há pessoas que não tem essa condição. Poucos podem gastar 15,00 por mês em uma Bravo. Quer fazer teatro, dança, aula de pintura? Ou não tem grana para pagar a aula, ou não tem grana para pagar transporte, ou tem que trabalhar o dia todo e não tem tempo para esses “luxos”. É esse tipo de privilégio que a elite tem.

      Realmente, cultura todos nós temos. Mas poucos conhecem a arte em sua essência.

  3. Eu costumo defender o que é considerado futilidade, mas concordei com a Cíntia nesse texto. Também não dou o menor valor pra pessoas que acham que por ouvir Caetano e Gil, ou ler Machado de Assis, pensam ser superiores. Mas o que está sendo tratado no texto, ao meu ver, nem é isso. A crítica da Cíntia é em relação aos que criticam sem argumentação, correto ?
    Neste caso eu concordo porque, tanto os que falam mal de MPB, por exemplo, alegando que isso é “música de velho”, quanto os que dizem que o Justin Bieber é ruim porque o cabelo dele é “de menina”, estão sendo completamente vazios em suas críticas. E pelo que eu entendi é sobre essas pessoas que o texto fala. A Cíntia não está criticando nenhum tipo de arte, e sim os críticos que usam argumentos vazios para criticar (alô Felipe Neto).
    Concordo com o comentário do Rodolfo de que gostar de algo de “baixo nível cultural” não torna ninguém menos inteligente, do mesmo modo que curtir algo de “alto nível cultural” não deixa ninguém menos burro. Até porque conheço pessoas que consomem “cultura” mas tem a cabeça fechadissima, o que eu considero a maior demonstração de burrice que existe.
    Porém, também concordo com o comentário da Cíntia sobre a falta de acesso ao underground. Fico decepcionado quando vou falar com alguém sobre artistas como Itamar Assumpção ou Arrigo Barnabé, por exemplo, e a pessoa não faz nem ideia do que seja, simplesmente porque isso não passa no Faustão nem toca na Jovem Pan.
    Mas, infelizmente, temos que entender que o mundo do entretenimento é uma indústria, é preciso tocar o que vende…

    • Sensacional Rafa!

      “…Concordo com o comentário do Rodolfo de que gostar de algo de “baixo nível cultural” não torna ninguém menos inteligente, do mesmo modo que curtir algo de “alto nível cultural” não deixa ninguém menos burro. Até porque conheço pessoas que consomem “cultura” mas tem a cabeça fechadissima, o que eu considero a maior demonstração de burrice que existe…”

      Nem preciso dizer mais nada!rs

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