Redescobrindo-se

Ela não era uma menina tão comum quando criança, ao invés de brincar de bonecas, queria papéis e lápis de colorir….Além de sonhar em ser secretária. Na adolescência passava os fins de semana jogando bola no meio de vááááários garotos, e como não podia deixar de ser, veio a vontade de ser professora de educação física. Mas os desenhos ainda eram parte dos momentos de descanso e distração, logo após o banho ao anoitecer.

Ensino médio. Os conflitos em casa despertaram o desejo de entender o ser humano. Expressava suas dores e novas descobertas em folhas brancas e rabiscos tortos, borradas de lágrimas. A psicologia era a opção para graduação, pois afinal, pagar a faculdade de artes não era algo que cabia no orçamento da família, e menos ainda no seu.

Abandonou os rabiscos. Perca de tempo. E não há tempo a perder. Felizmente descobriu que não havia nascido para ser psicóloga, e a imagem (arte) mais uma vez falou mais forte em seus ouvidos, o coração palpitou, a respiração ficou ofegante… E por acidente descobriu o jornalismo. É isso mesmo, ACIDENTE. Não nasceu jornalista. Ninguém nasce jornalista. A prática ensina.

O emprego de arquivista era suficiente para as mensalidades, e com a Graça Dele, conseguiu a bolsa do governo vermelho ao qual tanto abominava (por influência da família). Perfeito. A filha do marceneiro e da dona de casa agora teria um diploma. O pai não gostou da escolha. Ele queria que ela fosse administradora ou contadora. A filha o ignorou. Quer ganhar pouco, mas ter o prazer de fazer o que gosta para o resto da vida.

O copo de vidro, cheio de lápis com cores vibrantes, esta no canto da mesa empoeirada. Nenhum deles ainda fora apontado. Comprados na esperança de um dia serem usados. Comprados para saciar um desejo de criança. O desejo de ter aquilo que seus pais não puderam lhe dar. Desejo saciado, e construtores de sonhos abandonados. Ser artista plástico era coisa de louco ou rico. Rica nunca fora. Louca? Não queria que a família descobrisse suas insanidades.

No terceiro ano ela decidiu arriscar. Ainda no jornalismo. Trocou o certo pelo incerto e resolveu revolucionar. Saiu do emprego que lha ajudara, mas que nada tinha a ver com o que havia escolhido para si. Sustentabilidade, Publicidade e agora Realidade. Conheceu novos caminhos. Aprendeu com algumas lições. E agora quer ousar. Futuro ainda incerto, mas a arte voltou a fazer parte de seus planos. Paixão pela fotografia, mas sempre fora uma forma de externar seu fiasco como artista. Pintar com a luz, por ser covarde demais em pitar com a alma manchada de tinta e grafite. Ela ignorou seu dom. Mas ele não deixou de existir lá dentro. E agora desperta. Quer crescer. Quer evoluir. Quer aprender. Quer mostrar para que veio.

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2 comentários

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2 responses to “Redescobrindo-se

  1. Ariene Lima

    Que lindo esse post!!!!!!!! Acho que sei o nome dessa garota (hahaha), que hoje é uma mulher forte e decidida a realizar todos os seus sonhos!!! Tenho muitoooo orgulho de você querida!!! Um grande beijo de sua amiga…

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